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Aloísio César de Bettencourt

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Aloísio César de Bettencourt

Description details

Description level

Fonds   Fonds

Reference code

PT/ABM/ACB

Title type

Atribuído

Dates

1872  to  1910 

Descriptive dates

[Entre 1872 e 1910]

Dimension

11 cx.: 131 negativos em vidro de várias dimensões (entre 12,2 x 18,5 cm e 21,5 x 16,4 cm).

Support

Holding entity

Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira

Producer

Bettencourt, Aloísio César de. (1838-1895). Algumas imagens deste arquivo encontram-se reproduzidas nos álbuns “Views of Madeira” de João Francisco Camacho (1833-1898). Contudo, como era comum no séc. XIX os fotógrafos utilizarem imagens de outros fotógrafos e como não possuímos os negativos de João Francisco Camacho, não podemos determinar com certeza de quem é a autoria dessas imagens.

Biography or history

Aloísio César de Bettencourt nasceu a 28 de fevereiro de 1838 na freguesia de Santo António, concelho do Funchal, filho de Luís de Bettencourt Esmeraldo e de D. Maria da Piedade Perestrelo da Câmara Bettencourt, neto paterno do morgado Francisco Pedro de Bettencourt Esmeraldo e de D. Maria Antónia da Câmara Esmeraldo e neto materno do morgado José Bernardino Perestrelo da Câmara e de D. Maria Pulquéria da Câmara Ribeiro Tojal, também conhecida por D. Maria Tojal da Câmara Vogado.

Em 9 de janeiro de 1875, casou com D. Maria Egídia da Silva e o único filho do casal, Luís Vogado de Bettencourt, nasceu no dia 9 de julho de 1881. Aloísio César de Bettencourt teve um filho natural, César Augusto de Bettencourt, nascido em 3 de setembro de 1866 e perfilhado em 12 de fevereiro de 1872.

Ao longo da sua vida, Aloísio César de Bettencourt não se restringiu unicamente ao campo da fotografia, onde foi considerado um dos mais importantes fotógrafos amadores da sua geração, tendo também se aventurado por outros campos, como o de curtidor, gravador, ourives e produtor de aguardente de cana.

Em 1862 colaborou, juntamente com Jacinto Hanibal de Freitas (1839-?), no primeiro jornal ilustrado feito na Madeira, o "Aurora de Domingo", onde apresentou “uma vista da parte ocidental do Funchal tirada da Quinta de São João” A sua colaboração com Jacinto Hanibal de Freitas continuou pelo menos até 1868, gerindo em conjunto o atelier fotográfico situado no mercado de S. João, onde atualmente se encontra o Teatro Municipal Baltazar Dias. Em 1872, juntamente com Joaquim F. Nogueira e Luís de Ornelas Pinto Coelho (1843-1920), tenta fundar um jornal literário e fotográfico denominado "Panorama Photographico da Madeira”, mas que nunca passou de projeto.

Em 1883, no sítio da Cruz de Carvalho, funda uma fábrica de destilação de aguardente de cana-de-açúcar (engenho) nos terrenos anexos à sua casa de residência denominada “Quinta Aluizio”, também conhecida por “Quinta Bettencourt”, “Quinta Santana” e “Quinta da Cruz de Carvalho”, que recebeu por doação em 1870 da sua avó materna, D. Maria Pulquéria da Câmara Ribeiro Tojal.

Aloísio César de Bettencourt foi também funcionário público desde 1862 até à sua morte em 1895, exercendo as funções de desenhador na Direção de Obras Públicas do Distrito do Funchal. Segundo o registo de óbito, faleceu repentinamente na madrugada do dia 1 de abril de 1895 na Calçada do Pico, freguesia de São Pedro, concelho do Funchal.

Aloísio César de Bettencourt deixou dois descendentes, Luís Vogado de Bettencourt que fundou a Fábrica de Mel-de-Cana do Ribeiro Seco na antiga fábrica de destilação de aguardente de cana-de-açúcar do seu pai. Casou em 1946, em leito de morte, com Maria Ilda Gomes, tendo morrido sem descendência. E César Augusto de Bettencourt, tenente de regimento de artilharia, que casou em 1907 com D. Júlia Tedeschi e teve dois filhos: D. Olga Tedeschi de Bettencourt e o Tenente-coronel Luís César Tedeschi de Bettencourt, membro cofundador da TAP.

Custodial history

Este conjunto de negativos estava na posse do Tenente-coronel Luís César Tedeschi de Bettencourt, neto de Aloísio César de Bettencourt, em finais de 1990. Em outubro desse ano, o Photographia Museu Vicentes (PMV) foi contactado pela Dr.ª Maria de Lourdes Almada Campos Tedeschi de Bettencourt, esposa do Tenente-coronel Luís César Tedeschi de Bettencourt, no sentido de doar os negativos ao Governo Regional da Madeira, através do referido museu e, em novembro de 1990, a coleção foi transportada para a Madeira, uma vez que se encontrava em Lisboa, onde o casal residia.

Não é possível determinar com toda a certeza, mas é plausível pressupor que após a morte de Aloísio César de Bettencourt em 1895, estes negativos tenham ficado com o seu filho natural, César Augusto de Bettencourt (pai do Tenente-coronel Luís César Tedeschi de Bettencourt), que na altura da morte do seu pai se encontrava a frequentar o curso de artilharia da Escola do Exército em Lisboa. Embora a relação de bens incluída nos autos cíveis de inventário obrigatório lavrados aquando da morte de Aloísio César de Bettencourt não mencione negativos fotográficos, foi César Augusto de Bettencourt que manifestou interesse em ficar com a máquina fotográfica (item n.º 51 da relação de bens) e, segundo mapa de partilha de bens, ficou mesmo com a referida máquina. Pelo que, pode-se concluir que os negativos entre 1895 e 1990 tenham estado em Lisboa, primeiro na posse de César Augusto de Bettencourt e, depois da morte deste, na posse do seu filho Luís César.

Entre novembro de 1990 e junho de 2016, este fundo esteve em instalações do PMV, inicialmente em sala de depósito localizada na Rua dos Netos e, posteriormente, na Rua da Conceição. No dia 23 de junho foi depositado no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira (ABM).

Acquisition information

Doação ao Governo Regional da Madeira, através do PMV, pelo Tenente-coronel Luís César Tedeschi Bettencourt em 29 de novembro de 1990.

Depósito no ABM em 23 de junho de 2016.

Scope and content

Este fundo é constituído por 131 negativos simples em vidro: 15 negativos de colódio e 116 negativos de sal de prata.

No que diz respeito ao que a coleção retrata, temos imagens do Funchal, onde se inclui conhecidas panorâmicas da baía e da cidade, vistas parciais da cidade e imagens de determinadas ruas e largos, bem como de locais específicos, tais como o molhe da Pontinha e o Jardim Municipal. Contém um conjunto de imagens de igrejas (suas fachadas e interiores) e um conjunto considerável de paisagens rurais e naturais da ilha da Madeira. Relativamente às paisagens rurais, temos imagens de Machico, Ponta do Pargo, Porto Moniz, Santa Cruz e São Vicente. Quanto às paisagens naturais, contém imagens da Penha d´Águia, Rabaçal, Ribeira do Inferno, entre outras. Por fim, inclui ainda um conjunto de retratos tirados no exterior, sejam em passeios e em Quintas. Deste conjunto, destacamos os retratos tirados na Quinta Aluizio, onde o fotógrafo residia, e os retratos tirados nos exteriores do Palácio Nacional de Queluz.

Relativamente à datação deste arquivo, temos apenas os negativos e não possuímos quaisquer registos do fotógrafo que permitem a datação dos negativos, estes foram datados a partir da observação da imagem. Quando não foi possível atribuir qualquer data, atribuiu-se a data: [ant. 1895] - anterior a 1895 (ano da morte de Aloísio César de Bettencourt).

Temos como datas extremas: 1872 - fotografias da praia do Funchal / primeira década do séc. XX - retratos nos exteriores do Palácio Nacional de Queluz onde aparecem oficiais do Exército de um regimento de artilharia. A esta série de retratos foi atribuída a data - entre a última década do séc. XIX e a primeira década do séc. XX - tendo em conta o vestuário e penteado das senhoras e ao facto de César Augusto de Bettencourt, filho natural de Aloísio César de Bettencourt, ter sido tenente de regimento de artilharia entre 1896 e 1906 (o que nos leva a supor que o autor deste conjunto de retratos possa ser César Augusto de Bettencourt e não o seu pai, falecido em 1895).

Deletion

O fundo não foi sujeito a qualquer eliminação.

Arrangement

O fundo está organizado segundo critérios temáticos, tendo sido criadas 5 secções: PT/ABM/ACB/A - Cidade e concelho do Funchal; PT/ABM/ACB/B - Igrejas e capelas; PT/ABM/ACB/C - Paisagens naturais da ilha da Madeira; PT/ABM/ACB/D - Paisagens rurais da ilha da Madeira e PT/ABM/ACB/E - Retratos. As secções e as séries foram ordenadas alfabeticamente. Os documentos simples dentro de cada série estão ordenados sequencialmente pelo n.º de inventário.

Relativamente à organização física, os negativos de colódio encontram-se todos na cx. 1, ACB/1 ao ACB/15 (n.º de inventário). Os negativos de sal de prata encontram-se acondicionados nas restantes caixas, cx. 2 à cx. 11, ACB/16 ao ACB/131.

Access restrictions

Comunicação total.

O fundo está disponível ao público em formato digital.

Conditions governing use

Reprodução para exposição, publicação e utilização comercial mediante autorização do ABM. Em todas as imagens serão obrigatoriamente referenciados os respetivos créditos, segundo o Regulamento Geral de Acesso e Reproduções do ABM.

Language of the material

Português.

Other finding aid

Disponível apenas o presente catálogo - Aloísio César de Bettencourt: catálogo, 2017 (idd n.º 152).